Ao invés de ir para o ‘presídio dos famosos’, Ronnie Lessa ficará em cadeia de segurança máxima com superlotação em Tremembé, SP

Plimp Malvern
Plimp Malvern
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A caminho de Tremembé, no interior de São Paulo, Ronnie Lessa não ficará na Penitenciária 2 “Dr. José Augusto Salgado”, a P2, mais conhecida como ‘presídio dos famosos’, que atualmente abriga, por exemplo, o ex-jogador Robinho.

A TV Globo apurou que Lessa deve, de fato, ir para Tremembé, mas ficará na Penitenciária 1 “Dr. Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra”, um presídio de segurança máxima onde estão presos “comuns”. O local atualmente está superlotado, segundo os números da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

A decisão de enviá-lo para a P1 foi da própria SAP que, horas depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, aceitar transferi-lo para o interior paulista, se posicionou contra a ida de Lessa para a P2.

Na P1 em Tremembé, contudo, Ronnie Lessa vai ficar em uma cela individual, sem contato com os outros presos.

Segundo a SAP, a unidade tem capacidade para abrigar 1.491 detentos, mas está superlotada: atualmente 2.171 presos cumprem pena no local — 680 a mais do que o limite. A situação é diferente da P2, que tem capacidade para 548 presos e atualmente abriga 469.

Penitenciária 1
A P1 de Tremembé é considerada um presídio de segurança máxima no Vale do Paraíba, sendo a única penitenciária masculina nesse perfil.

Ao todo, a penitenciária conta com seis pavilhões e possui bloqueador de celular. No local, os presos têm quatro refeições ao dia, além do banho de sol.

A inclusão de um novo detento na unidade é semelhante ao que acontece na P2, com o preso permanecendo em uma cela de isolamento de 10 a 30 dias, recebendo roupa de presidiário e corte de cabelo antes de ingressar.

Transferência
O ex-policial militar está preso desde março de 2019 por participar da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Ronnie confessou ser o assassino em delação premiada.

Segundo a decisão de Moraes, os benefícios previstos na colaboração premiada dependem da eficácia das informações prestadas, “uma vez que trata-se de meio de obtenção de prova, a serem analisadas durante a instrução processual penal”. O ministro entende, entretanto, que isso não impede que, no presente momento, seja realizada, provisoriamente, a transferência pleiteada.

“[Determino] a transferência do colaborador Ronnie ao Complexo Penitenciário de Tremembé,/SP, observadas as regras de segurança do estabelecimento prisional, mediante monitoramento das comunicações verbais ou escritas do preso com qualquer pessoa estranha à unidade penitenciária, inclusive com monitoramento de visitas, enquanto não encerrada a instrução processual em curso”, diz o texto.

Na decisão sobre a transferência, Moraes também retirou o sigilo dos documentos de parte da delação premiada de Lessa, incluindo vídeos.

Os anexos 1 e 2, dos quais o ministro levantou o sigilo, tratam da cadeia do comando e da execução do crime. Ao todo, a delação tem 7 anexos.

Ronnie também contou em delação premiada como foi o planejamento do crime e o que ele ganharia com a execução. O depoimento durou cerca de duas horas. O assassino disse ter acreditado que a proposta criminosa seria o negócio da vida dele.

O plano
Na delação, Ronnie Lessa indicou Domingos Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e o irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão, como mandantes do crime.

Os irmãos Brazão teriam oferecido a ele e a um comparsa, o Macalé (apelido do ex-PM Edimilson de Oliveira), um loteamento clandestino na Zona Oeste do Rio, avaliado em milhões de reais.

“Era muito dinheiro envolvido. Na época, daria mais de 20 milhões de dólares. A gente não está falando de pouco dinheiro […]. Ninguém recebe uma proposta de receber dez milhões de dólares simplesmente para matar uma pessoa”

Ronnie Lessa apontou aos investigadores, com uso de satélite, as supostas áreas onde seriam criados os loteamentos. No relatório das investigações, a Polícia Federal afirma que não foi possível encontrar evidências concretas de planejamento para ocupar a área.

A defesa de Domingos Brazão afirmou que não existem elementos que sustentem a versão de Lessa e que não há provas da narrativa apresentada.

Os advogados de Chiquinho afirmaram que a delação de Lessa “é uma desesperada criação mental na busca por benefícios, e que são muitas as contradições, fragilidades e inverdades”.

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