Notícias

Lucas Peralles explica o que torna um emagrecimento sustentável de verdade

Bianca Lorvani 4 min de leitura

Reduzir bastante as calorias costuma trazer resultado rápido nas primeiras semanas de qualquer dieta mais restritiva. Lucas Peralles, especialista em comportamento alimentar, vê o mesmo corpo que emagrece depressa recuperar peso na mesma velocidade pouco tempo depois, em boa parte dos casos que acompanha de perto no consultório.

Emagrecimento sustentável não é sinônimo de processo lento por definição, nem exige anos de espera para mostrar resultado real. É um processo compatível com o que o corpo consegue sustentar sem entrar em modo de defesa, algo que um corte calórico agressivo dificilmente permite, mesmo quando o resultado inicial parece bastante positivo na balança.

O que diferencia emagrecimento sustentável de perda de peso rápida?

Perda de peso rápida costuma vir de um déficit calórico grande demais para o corpo sustentar por muito tempo seguido, sem sinais de desconforto. Isso funciona nas primeiras semanas, mas ativa mecanismos de defesa que tornam a continuidade cada vez mais difícil, até que o processo trava por completo ou é abandonado antes de chegar à meta desejada pelo paciente.

Lucas Peralles explica que emagrecimento sustentável trabalha dentro de uma margem que o corpo tolera manter por meses inteiros de acompanhamento, não apenas por semanas isoladas de esforço intenso e restrição severa. Isso significa resultado mais lento no curto prazo, mas com muito mais chance real de permanecer depois que a fase ativa do processo termina de fato.

Como o corpo reage a um déficit calórico agressivo demais?

Diante de um déficit calórico severo, o corpo reduz o gasto energético em repouso como forma natural de proteção, um mecanismo conhecido como adaptação metabólica. Esse ajuste automático explica por que a perda de peso desacelera com o tempo, mesmo quando a pessoa mantém exatamente a mesma restrição alimentar do início do processo de emagrecimento.

Lucas Peralles indica que esse mecanismo é uma das razões pelas quais dietas muito restritivas param de funcionar depois de certo tempo de uso contínuo, mesmo sem nenhuma quebra de disciplina por parte do paciente envolvido no processo. O corpo simplesmente aprendeu a gastar menos energia como forma de se defender da escassez percebida ao longo das semanas mais restritivas.

Por que o ritmo do emagrecimento importa tanto quanto o resultado?

O ritmo do emagrecimento determina, em boa parte, o que sobra depois que a meta é finalmente alcançada pelo paciente ao final do processo. Um processo rápido demais costuma vir acompanhado de perda de massa muscular, queda de energia no dia a dia e maior dificuldade de manter o resultado sem voltar a fazer dieta com frequência nos meses seguintes.

Lucas Peralles reforça que um ritmo mais controlado preserva massa muscular e mantém o metabolismo mais ativo ao longo de todo o processo de emagrecimento em curso, o que reduz justamente o risco de recuperar o peso perdido nos meses seguintes ao fim do acompanhamento mais próximo do consultório e da equipe envolvida.

Como o Método LP define esse ritmo para cada paciente?

No Método LP, esse ritmo é definido de forma individual, considerando histórico de dietas anteriores, nível de atividade física e resposta metabólica observada ao longo das primeiras semanas de acompanhamento próximo do paciente, em vez de aplicar um corte calórico padrão a todos os pacientes de forma igual e genérica, sem considerar diferenças reais entre eles.

Esse ajuste constante evita tanto a estagnação quanto a perda de massa muscular associada a déficits agressivos demais no início do processo de emagrecimento. O resultado é um processo mais lento, mas com uma probabilidade real e maior de permanecer depois que o acompanhamento mais intenso termina e o paciente segue sozinho no dia a dia.

Relacionadas