A incorporação da inteligência artificial (IA) à prática médica tem ampliado as possibilidades de diagnóstico, planejamento e acompanhamento de pacientes, elucida Milton Seigi Hayashi, médico cirurgião plástico. No entanto, esse avanço também traz novos desafios éticos, especialmente relacionados à proteção de dados, ao consentimento informado e à responsabilidade profissional. Compreender esses limites é fundamental para garantir que a tecnologia seja usada a favor da segurança do paciente e da qualidade do cuidado.
Dados de saúde: Por que exigem proteção reforçada
Informações médicas estão entre os dados mais sensíveis que uma pessoa pode compartilhar. Elas envolvem não apenas aspectos clínicos, mas também elementos de identidade, imagem corporal e histórico pessoal. Com a digitalização dos prontuários e o uso de plataformas baseadas em IA, o volume de dados armazenados cresce significativamente.
A proteção dessas informações deve ser tratada como prioridade absoluta. Vazamentos, acessos indevidos ou uso inadequado de imagens podem gerar danos emocionais, sociais e até jurídicos para os pacientes, além de comprometer a confiança na relação médico-paciente. Neste cenário, Milton Seigi Hayashi, informa que clínicas e profissionais precisam adotar sistemas seguros, com controle de acesso, criptografia e políticas claras de uso e descarte de dados, respeitando a legislação vigente de proteção de dados pessoais.

Consentimento informado em um cenário tecnológico mais complexo
O consentimento informado sempre foi pilar da ética médica, mas a presença de tecnologias avançadas torna esse processo mais complexo. Não basta explicar apenas os riscos e benefícios do procedimento cirúrgico, é necessário também esclarecer como dados e imagens poderão ser utilizados em sistemas digitais. Segundo Milton Seigi Hayashi, o paciente precisa saber se suas informações serão usadas apenas para acompanhamento clínico ou se poderão integrar bancos de dados para treinamento de algoritmos.
Outro ponto crítico envolve a responsabilidade sobre decisões clínicas apoiadas por sistemas de IA, ressalta Hayashi. Embora essas ferramentas possam sugerir condutas ou identificar padrões, a decisão final continua sendo atribuição exclusiva do médico. Delegar decisões a algoritmos sem avaliação crítica representa risco ético e jurídico. Em caso de falha, é o profissional que responde pela conduta adotada, e não o sistema utilizado como apoio.
Vieses e equidade no uso de tecnologias médicas
Sistemas de IA são treinados a partir de grandes volumes de dados, que refletem características específicas das populações incluídas nesses conjuntos. Se esses dados não forem representativos, os algoritmos podem apresentar vieses, funcionando melhor para alguns perfis de pacientes do que para outros. Esse é um desafio relevante, pois pode gerar desigualdades no cuidado, especialmente em países com grande diversidade étnica e socioeconômica.
Milton Seigi Hayashi ainda explica que avaliar a aplicabilidade dos sistemas em diferentes contextos é parte da responsabilidade ética na adoção dessas tecnologias. É importante que haja estudos contínuos de validação, garantindo que as ferramentas mantenham desempenho adequado em populações distintas daquelas usadas em seu desenvolvimento inicial.
Formação ética e atualização profissional contínua
Diante desse cenário, a formação médica precisa incorporar de forma mais estruturada temas relacionados à ética digital, proteção de dados e uso responsável de tecnologias. Não se trata apenas de aprender a operar sistemas, mas de compreender seus impactos na prática clínica e na relação com o paciente, frisa Milton Seigi Hayashi.
A atualização profissional deve incluir discussões sobre limites éticos, legislação e boas práticas no uso de IA. Esse preparo permite que o médico faça escolhas mais seguras e alinhadas aos princípios da medicina centrada no paciente. Essa capacitação também fortalece a comunicação com o paciente, permitindo explicar claramente como a tecnologia é utilizada e quais são seus benefícios e limitações.
Tecnologia exige responsabilidade proporcional ao seu poder
A inteligência artificial oferece oportunidades relevantes para aprimorar a prática médica, mas seu uso envolve responsabilidades proporcionais ao impacto que pode gerar na vida das pessoas. Proteger dados, garantir consentimento adequado e manter a centralidade do julgamento clínico são princípios que não podem ser relativizados em nome da inovação.
Na avaliação de Milton Seigi Hayashi, o avanço tecnológico só será verdadeiramente positivo se caminhar junto com uma ética sólida e com o compromisso permanente com a segurança e a dignidade do paciente. Em um cenário cada vez mais digital, preservar a confiança na relação médico-paciente continua sendo o maior indicador de qualidade na assistência em saúde.
Autor: Plimp Malvern

