Nem sempre a dificuldade de iniciar tarefas, manter organização ou concluir atividades está relacionada à falta de interesse. Em muitos casos, o que parece preguiça pode estar ligado a sobrecarga mental, dificuldade de regulação emocional ou características associadas ao TDAH e outras condições do neurodesenvolvimento. Alexandre Costa Pedrosa observa que esse tipo de interpretação equivocada costuma gerar conflitos familiares constantes e afeta diretamente a autoestima de crianças e adolescentes.
O problema aumenta quando a cobrança acontece sem compreensão real das dificuldades enfrentadas pela criança. Frases como “você só precisa se esforçar mais” ou “isso é falta de vontade” acabam sendo repetidas diariamente, mesmo quando existe sofrimento emocional por trás do comportamento. Alexandre Costa Pedrosa acredita que diferenciar desinteresse pontual de dificuldades cognitivas e emocionais é um passo importante para construir relações familiares menos desgastantes.
Por que algumas tarefas parecem tão difíceis?
Existem crianças que conseguem realizar atividades complexas em assuntos de interesse, mas travam completamente diante de tarefas simples do cotidiano. Isso acontece porque o cérebro não responde da mesma forma a todos os tipos de estímulo.
No TDAH, por exemplo, funções relacionadas à organização, planejamento e manutenção de atenção podem exigir esforço muito maior do que as pessoas imaginam. O resultado costuma ser procrastinação frequente, sensação de bloqueio e dificuldade para começar tarefas, mesmo quando existe vontade de realizá-las.
Alexandre Costa Pedrosa comenta que muitas crianças crescem ouvindo críticas constantes sem conseguir explicar por que determinadas atividades parecem emocionalmente tão cansativas.
Quais sinais merecem atenção?
Alguns comportamentos costumam aparecer repetidamente quando existe dificuldade de funcionamento executivo e regulação mental:
- Esquecimento frequente de tarefas.
- Dificuldade para organizar materiais.
- Sensação de paralisia diante de obrigações simples.
- Início constante de atividades sem conclusão.
- Oscilações intensas de produtividade.
- Frustração exagerada ao cometer erros.
Nem sempre esses sinais indicam um transtorno específico, mas merecem observação cuidadosa quando começam a impactar rotina, aprendizado e relações familiares.
Alexandre Costa Pedrosa destaca que crianças emocionalmente sobrecarregadas muitas vezes aparentam desinteresse apenas porque estão cansadas de tentar corresponder a expectativas que exigem esforço contínuo além do que conseguem sustentar naquele momento.

Cobrança excessiva pode piorar o cenário?
Em muitos casos, sim. Quando a criança já se sente incapaz ou constantemente criticada, novas cobranças tendem a aumentar a ansiedade e a sensação de fracasso. Isso cria um ciclo desgastante, em que o medo de errar acaba dificultando ainda mais a execução das tarefas.
O ambiente familiar influencia bastante nesse processo. Rotinas extremamente rígidas, excesso de comparação e comunicação baseada apenas em correção costumam aumentar tensão emocional e insegurança.
Alexandre Costa Pedrosa acredita que acolhimento não significa ausência de responsabilidade. O objetivo é construir estratégias mais eficientes para ajudar a criança a desenvolver autonomia sem transformar o cotidiano em um espaço permanente de conflito.
O que costuma ajudar no dia a dia?
Pequenas adaptações frequentemente produzem resultados mais positivos do que pressão constante. Dividir tarefas em etapas menores, criar rotinas visuais e reduzir excesso de estímulos durante atividades importantes costuma facilitar bastante a organização mental. Também ajuda reconhecer esforço antes de focar apenas no resultado final. Crianças que se sentem compreendidas tendem a desenvolver mais confiança para enfrentar dificuldades sem entrar imediatamente em estado de frustração ou bloqueio emocional.
Alexandre Costa Pedrosa pontua que muitos conflitos familiares diminuem quando adultos passam a enxergar comportamento com mais profundidade, em vez de interpretar toda dificuldade como falta de vontade ou desinteresse. Nem sempre a criança que parece “preguiçosa” está evitando esforço por escolha. Em muitos casos, ela apenas ainda não encontrou suporte adequado para lidar com desafios que os outros não conseguem enxergar facilmente.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

