Personagens digitais com milhões de seguidores firmam contratos com marcas reais e abrem debate sobre autenticidade, trabalho e futuro do entretenimento.
A internet sempre foi boa em criar celebridades do nada, mas o que está acontecendo em 2026 vai além de qualquer reality show ou viralização acidental. Personagens que nunca existiram fora de um servidor, que nunca tiveram um dia ruim, que jamais errarão uma legenda ou se envolverão em escândalos indesejados, estão acumulando seguidores, assinando contratos com marcas e mudando o que a palavra “influenciador” significa. A era dos influenciadores criados por inteligência artificial chegou ao Brasil com força.
Criada 100% por inteligência artificial, a influenciadora virtual especializada em tecnologia LunaTech conquistou o Brasil. Influenciadores se tornaram verdadeiros canais de venda, utilizando lives, stories e posts para converter seguidores em clientes de forma fluida e integrada à experiência de navegação. O fenômeno não é exclusivamente brasileiro, mas tem encontrado aqui um terreno especialmente fértil. Dry Telecom
Como funciona um influenciador de IA na prática
Os influenciadores de IA são personagens gerados por computador criados através de tecnologias de inteligência artificial avançadas. Sua criação combina fotografias de pessoas reais com modificações feitas por ferramentas de inteligência artificial. Isso permite criar imagens hiper-realistas com simplicidade e eficiência. Jornal Opção
Lu do Magalu lidera o ranking como a influencer de IA mais seguida do Instagram, com 8 milhões de seguidores. Criada em 2003 como assistente virtual da Magazine Luiza, ela evoluiu para se tornar uma verdadeira embaixadora digital brasileira, colaborando com gigantes como Burger King, Red Bull, Adidas e Samsung. Fashion Bubbles
O processo de criação evoluiu muito desde os primeiros personagens digitais. Hoje, ferramentas como Midjourney e Stable Diffusion permitem gerar rostos detalhados e consistentes. Depois, plataformas como Runway AI transformam essas imagens em vídeos animados com movimentos naturais, expressões faciais e gestos. O resultado final, especialmente nas mãos de equipes criativas experientes, pode ser indistinguível de um criador de conteúdo humano para uma grande parcela do público.
O mercado que se forma ao redor desses personagens
Vídeos com rostos gerados por inteligência artificial estão se tornando lentamente mais populares em plataformas de vídeos curtos e uma parte crescente da indústria de influenciadores. Surgiu a premiação AI Personality of the Year, iniciativa que premia os melhores criadores de influenciadores por IA, pensada de forma coletiva pelas empresas OpenArt, Fanvue e ElevenLabs. O prêmio total é de US$ 20 mil, e os organizadores dizem que a ideia é transformar a premiação em uma espécie de “Oscar” desse nicho. Exame
A ascensão de influenciadores digitais reflete o boom da inteligência artificial generativa. Essa tecnologia permite que qualquer pessoa crie imagens detalhadas a partir de simples descrições textuais, transformando setores como moda, publicidade e entretenimento. Marcas de moda, beleza e tecnologia já estão ativamente buscando influenciadores digitais para campanhas. Jornal Opção
Esse mercado traz vantagens claras para as marcas: controle total sobre a imagem, ausência de crises de reputação espontâneas, disponibilidade 24 horas e capacidade de personalização quase infinita. Mas traz também perguntas que o setor ainda está aprendendo a responder: o que acontece com os criadores humanos nesse cenário? Quem é responsabilizado quando um personagem de IA promove algo inadequado? E como o público deve ser informado de que está interagindo com uma entidade não humana?
O debate que a tecnologia colocou na mesa
Um dos principais desafios dessa nova indústria é convencer o público de que personagens gerados por IA podem parecer autênticos. Os organizadores do prêmio afirmam que a “narrativa autêntica” será um dos pontos centrais da disputa, embora os criadores possam permanecer anônimos. A obra pode ganhar destaque sem que seu autor precise aparecer. Exame
Esse paradoxo, autenticidade construída por quem permanece invisível, resume bem o desafio ético e cultural que os influenciadores de IA trazem. Para o público, a pergunta central não é se a tecnologia é impressionante. É se importa de verdade quem, ou o quê, está por trás do conteúdo que consome. A resposta para essa pergunta vai definir os próximos capítulos de uma transformação que já está em curso.
Fontes consultadas: Exame | Fashion Bubbles | Jornal Opção | Dry Telecom
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

