A “fofoca” na era da tecnologia

Plimp Malvern
Plimp Malvern
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Uma das coisas mais antigas da humanidade é a “fofoca” e, junto com ela, a interpretação equivocada, o juízo de valor, o ruído ou até mesmo a mentira.

Há memes, que são imagens que circulam nos grupos de Whats, que mostram que antes os vizinhos trocavam informações de sua rua ou falavam de outros vizinhos pela janela ou pelo muro que dividia as casas. Hoje, fazem pelos grupos de Whats, onde ocorre de tudo, da história “mal contada” até aquele bate-boca tradicional em função do lixo derramado ou do carro mal estacionado. A imagem mais icônica é de senhoras sentadas na frente de casa, cada uma com seu celular.

E esse fenômeno também ocorre nas famílias, na escola ou no local de trabalho. No passado, era comum uma pessoa confidenciar uma impressão sobre alguém, de forma presencial. Era olho no olho ou ao pé de ouvido, como diziam os antigos. Hoje as “fofocas” ocorrem por mensagem de texto ou áudio e até mesmo em postagens públicas.

Se pararmos para pensar, enquanto esses temas estão na esfera doméstica, tudo bem! Significa que estamos fazendo o que sempre fizemos, apenas mudamos o canal. Estamos migrando do mundo presencial para o virtual. O problema é quando essa prática se torna pública, quando a “fofoca” ou a mentira é utilizada para atacar, para gerar discurso de ódio e criar Fake News.

O IPO – Instituto Pesquisas de Opinião questionou os gaúchos sobre o papel da internet no seu cotidiano e a influência das redes sociais no processo de informação.

Para a maior parte da população a rede social é um espaço de entretenimento, um espaço para desopilar e interagir com os familiares e amigos, “para saber das fofocas”. No momento em que uma pessoa acessa a internet é como se entrasse em um mundo paralelo, inclusive, passando a se relacionar com este mundo com tal intensidade ao ponto de não perceber o que está acontecendo ao seu redor.

Em alguns casos a relação com as redes sociais influencia até no humor das pessoas. As postagens transmitem sentimentos bons e ruins, fazendo com que as pessoas oscilem entre momentos de alegrias e tristezas, fortalecendo a autoestima ou estimulando a inveja.

Mas, o maior risco da “fofoca” na era da tecnologia é quando ela se torna uma Fake News e é utilizada para manipular a sociedade, para colocar uns contra os outros. E, em muitos casos, esta “fofoca” pode resultar em cancelamento de uma pessoa ou de uma marca.

Um em cada dez gaúchos costuma compartilhar qualquer tipo de conteúdo sem olhar a fonte, sem verificar se a postagem é verdadeira. Algumas pessoas fazem isso sem a consciência de que pode ser uma Fake News. Outras têm consciência de que se trata de uma notícia falsa e afirmam que compartilham pois concordam com o que está escrito na postagem.

Estamos vivendo um processo de transformação digital da sociedade, alterando nossas práticas, nossa visão de mundo e a maneira como interagimos com as outras pessoas. Para mantermos o respeito e a tolerância na internet, precisamos ter consciência dos limites morais e éticos: se antes a “fofoca” era o que “entrava por um ouvido e saia pelo outro”, hoje a “fofoca” precisa ser algo que entra por uma mensagem e não sai pela outra.

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