Taiza Tosatt Eleoterio

Taiza Tosatt Eleoterio aborda a importância de criar um ambiente onde as emoções possam ser acolhidas 

Diego Velázquez
Diego Velázquez
7 Min de leitura
Taiza Tosatt Eleoterio

A psicanalista e especialista em saúde mental e relações familiares, Taiza Tosatt Eleoterio, contribui para uma compreensão que contraria o senso comum sobre o tema: a segurança emocional dentro da família não depende da ausência de conflitos, mas da qualidade das respostas que os membros do núcleo familiar oferecem uns aos outros nos momentos de tensão. Antes de qualquer técnica ou estratégia, é a atmosfera relacional cultivada ao longo do tempo que determina se uma família representa, para quem cresce nela, uma base sólida ou um terreno instável.

O debate sobre o que torna uma família emocionalmente segura ganhou relevância à medida que a saúde mental passou a ser tratada com mais seriedade no campo das relações humanas. Reconhecer os elementos que compõem esse ambiente protegido, para além das boas intenções e dos recursos materiais, é um passo que transforma a forma como adultos, pais e responsáveis compreendem o papel que desempenham na vida emocional das pessoas ao redor.

Veja, nos próximos tópicos, como esse ambiente se constrói e o que o distingue de outros contextos familiares.

O que a segurança emocional realmente significa dentro de uma família?

O conceito de ambiente familiar saudável costuma evocar imagens de harmonia permanente, o que distorce o que a psicologia e a psicanálise descrevem como condição real de saúde. As famílias funcionam bem não porque evitam o conflito, mas porque conseguem atravessá-lo sem que o vínculo afetivo seja colocado em risco. A segurança emocional surge justamente dessa percepção: a de que o relacionamento resiste à divergência.

O que os estudos sobre desenvolvimento emocional indicam de forma consistente é que crianças e adultos se sentem seguros quando as respostas das pessoas ao redor são previsíveis, proporcionais e reparáveis. Isso significa que erros acontecem, que tensões surgem, mas que existe capacidade de retomada da conexão depois desses momentos. A reparação, mais do que a perfeição, é o que define a qualidade do ambiente emocional.

Vale observar também que a sensação de segurança emocional dentro de uma família não é percebida da mesma forma por todos os seus membros. A criança de cinco anos e o adolescente de quinze têm leituras distintas do ambiente ao redor, assim como os adultos que convivem sob o mesmo teto. O que une essas percepções diferentes é a necessidade de um espaço onde a vulnerabilidade não custe caro.

Conforme analisa Taiza Tosatt Eleoterio, a segurança emocional familiar não é um estado fixo que se alcança uma vez e se mantém sozinho. É um processo contínuo, alimentado pelas pequenas escolhas de como responder, de como escutar e de como acolher o que os outros trazem, especialmente quando o que trazem é difícil.

Previsibilidade como fundamento da confiança relacional

Um elemento frequentemente subestimado na construção de ambientes familiares seguros é a previsibilidade das respostas emocionais dos adultos. Para crianças, em particular, a capacidade de antecipar como os cuidadores vão reagir a uma situação de erro, frustração ou necessidade é o que permite explorar o mundo com menos ansiedade.

Ambientes em que as respostas são imprevisíveis, em que o humor de quem cuida determina se a criança será acolhida ou ignorada, geram um estado de vigilância constante que consome energia e compromete o desenvolvimento. A criança aprende a monitorar o ambiente antes de se expressar, o que reduz sua espontaneidade e, progressivamente, sua capacidade de confiar.

Para os adultos, essa previsibilidade também importa. Saber que um parceiro ou familiar vai responder com escuta, em vez de agressividade ou distância, cria as condições para que as conversas difíceis aconteçam antes de se tornarem crises.

Escuta e validação como práticas cotidianas de cuidado

A escuta dentro da família raramente é pensada como uma prática deliberada. Ela tende a ser tratada como algo que acontece naturalmente, quando, na realidade, escutar de forma genuína exige uma disposição que vai além da atenção passiva. Significa suspender a própria perspectiva por tempo suficiente para que o outro se sinta realmente ouvido antes de receber uma resposta.

A validação emocional, que é o reconhecimento de que o que o outro sente faz sentido, mesmo que a situação seja percebida de forma diferente, é um dos gestos mais simples e mais eficazes dentro de qualquer relação próxima. Dizer “entendo que isso foi difícil para você” não é concordar com uma interpretação. É confirmar que a experiência emocional do outro é legítima.

Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, a ausência desse gesto dentro das famílias costuma produzir uma dinâmica de competição entre perspectivas, em que cada membro tenta impor sua versão dos fatos em vez de buscar a compreensão mútua. O resultado é o gradual fechamento emocional de cada pessoa, que aprende que compartilhar não vale o custo que tem.

Por que ambientes seguros precisam de espaço para o erro?

Uma família emocionalmente segura não é aquela em que os erros não acontecem. É aquela em que os erros podem ser reconhecidos sem que isso destrua a imagem que cada membro tem de si mesmo ou a relação com os outros. O medo do erro, quando excessivo, é um dos fatores que mais comprometem a saúde emocional dentro dos núcleos familiares.

Sob a perspectiva de Taiza Tosatt Eleoterio, especialista em saúde mental e relações familiares, quando os adultos de uma família conseguem reconhecer os próprios erros com alguma naturalidade, inclusive os erros cometidos com os filhos, estão oferecendo um modelo relacional com impacto direto sobre o desenvolvimento emocional das crianças. Elas aprendem que é possível errar sem perder o valor como pessoa, e que a capacidade de reparação vale mais do que a busca pela perfeição. O ambiente familiar emocionalmente seguro é, em última análise, aquele em que as pessoas podem existir com suas imperfeições sem medo de serem descartadas ou humilhadas por elas.

Compartilhe este artigo