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Aterros sanitários viram centros de gestão ambiental

Bianca Lorvani 4 min de leitura

O engenheiro e fundador da Versa Engenharia Ambiental, Odair José Mannrich, observa que o Brasil produz aproximadamente 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, e a destinação final desse volume deixou de ser apenas uma questão de disposição no solo. Aterros sanitários modernos evoluíram para verdadeiros centros integrados de gestão ambiental, em que o tratamento avançado de chorume, a captação de biogás e a recuperação de áreas degradadas transformaram passivos históricos em ativos operacionais. Essa mudança de paradigma altera completamente a forma como concessionárias e municípios planejam a infraestrutura de saneamento.

A evolução do conceito de aterro

Aterros sanitários deixaram de ser meros depósitos controlados para se tornarem unidades industriais complexas, com sistemas de impermeabilização de base, drenagem de gases e tratamento de efluentes líquidos. A engenharia moderna exige que cada célula de disposição seja projetada com mantas de PEAD de alta densidade, camadas de proteção e sistemas de coleta que impeçam qualquer contato do chorume com o solo ou com o lençol freático.


Odair José Mannrich destaca que a concepção atual de aterros prevê desde o início o pós-fechamento, com planos de monitoramento que se estendem por décadas após o encerramento das atividades. A responsabilidade técnica do operador não termina quando a última célula é selada, mas continua com a manutenção dos sistemas de drenagem e com a recuperação progressiva da cobertura vegetal.

Tratamento avançado de chorume

O chorume gerado pela decomposição da matéria orgânica é um dos efluentes mais complexos do saneamento, com alta carga orgânica, presença de metais pesados e variação sazonal de composição. Sistemas convencionais de lagoas de estabilização já não atendem às exigências das resoluções do Conama, e a tendência é a adoção de tratamentos terciários com osmose inversa e oxidação avançada.


Plantas de tratamento de chorume em aterros modernos combinam etapas biológicas anaeróbias, reatores com membranas (MBR) e polimento final por osmose, conforme indica Odair José Mannrich, garantindo efluentes dentro dos padrões de lançamento ou mesmo viabilizando o reúso interno da água nas operações do próprio aterro. O custo operacional é elevado, mas a alternativa, que seria o lançamento irregular em corpos hídricos, gera multas e danos ambientais irreversíveis.

Captação e aproveitamento do biogás

A decomposição anaeróbia da matéria orgânica em aterros gera biogás composto principalmente por metano e gás carbônico, com potencial energético significativo. A captação desse gás por meio de poços verticais e horizontais, seguida de tratamento para remoção de siloxanos e sulfeto de hidrogênio, permite sua utilização em motores de combustão interna para geração de energia elétrica.


Dentre essa disposição, Odair José Mannrich pondera que o biogás de aterro pode ser convertido também em biometano, após purificação por absorção ou membranas, e injetado na rede de gás natural ou utilizado como combustível veicular. Essa transformação agrega valor ao passivo ambiental e gera receita adicional para o operador, além de evitar a emissão de metano para a atmosfera, um gás com potencial de aquecimento global 25 vezes superior ao do CO₂.

Recuperação de áreas e uso do solo

O pós-fechamento de aterros sanitários exige a instalação de cobertura final com camadas de solo, sistema de drenagem de águas pluviais e vegetação rasteira de baixo porte. Odair José Mannrich nota que a área recuperada pode receber usos compatíveis com as restrições de assentamento de estruturas, como parques, campos esportivos e áreas de preservação, desde que os sistemas de drenagem de gases e chorume permaneçam ativos.


A integração entre engenharia ambiental e planejamento urbano transforma antigas áreas de disposição em espaços de convivência e lazer, revertendo a desvalorização imobiliária do entorno. Essa abordagem consolida a tendência de aterros sanitários como centros integrados de gestão ambiental, capazes de gerar energia, tratar efluentes e devolver áreas úteis à cidade.


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